18maio
A indiferença em tempo de Copa

Já perceberam que estamos às vésperas de mais uma Copa do Mundo de Futebol? Pois é, nem parece. Mas o mundial da Rússia acontecerá a menos de um mês. O pontapé inicial será dado no próximo dia 14 de junho. Parece estranho, mas há um sentimento no ar de um certo distanciamento do brasileiro em relação ao torneio. E isso não tem nada haver com aquela pecha de que o brasileiro deixa tudo para última hora.

Em copas passadas o sentimento de engajamento parecia ser maior no, ainda, “país do futebol”. A gente sentia nas pessoas e nas ruas uma expectativa gostosa de que a copa se aproximava. Os assuntos das rodas de conversas sempre giravam em torno da Seleção Brasileira e os seus convocados, ruas e avenidas se coloriam com as cores da bandeira, as lojas se ambientavam para acolher o cliente/torcedor e propagandas estreladas com os heróis nacionais nos emocionavam.

Atualmente a coisas andam, ainda, um tanto quanto tímidas. Essa percepção de certa indiferença também pode ser vista nas campanhas publicitárias. Eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, sempre foram considerados o “filé” da publicidade. Há todo um planejamento específico e exclusivo para esses acontecimentos. Um campo fértil para apresentar ações e desenvolver ativações de marcas e empresas. É algo que impacta até quem está alheio às competições.

Para ilustrar o que estamos falando, destacamos a Folha de São Paulo que, em 4 de maio, publicou uma pesquisa, realizada pelo DataFolha em janeiro – que você pode ter acesso clicando aqui – onde apontava o crescimento do desinteresse do brasileiro por futebol. Das 2.826 pessoas entrevistadas, nos 174 municípios visitados, 41% demonstrou não ter interesse pelo esporte. Houve um crescimento de dez pontos percentuais em relação a pesquisa realizada em 2010. O desinteresse também foi identificado quando perguntados sobre a Copa do Mundo. Em 2009, 18% não tinham interesse no torneio. Em 2018 esse número subiu para 42%.

Talvez os dados acima tenham desencorajado, por enquanto, as marcas de investirem pesadamente neste período. O que vemos, até o momento, são campanhas insossas e ações pontuais recheadas de clichês e promoções já ativadas em outras copas. Nada de novo. Não há um engajamento efetivo por nenhuma das partes. Nem pelas marcas, nem pelas agências e nem pelos consumidores.

Um ponto em comum a todos, e que pode refletir bem o atual momento, é que o Brasil também passa por uma recessão econômica severa. Há um impacto direto em grandes investimentos. Por hora, a possibilidade de conquista da sexta estrela não está fazendo os olhos de ninguém brilhar.